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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

QUAL O SABOR DA LAMA? LEONARDO BOFF

DA SÉRIE: QUAL O SABOR DA LAMA?

NOTA DO BLOG: ARTIGO COMPARTILHADO PARA A NOSSA REFLEXÃO SOBRE A ATUAL CRISE QUE O BRASIL PASSA.

O PT ou se renova ou se mediocriza de vez
16/08/2015
      Reza um mito antigo da cultura mediterânea que, de tempos em tempos, a águia, obsevando em seu corpo sinais de envelhecimento, fraqueza dos olhos penetrantes, e flacidez das garras se propunha renovar-se totalmente. Assim fazia também a fênix egípcia que aceitava morrer para voltar rejuvenescida para nova vida. Qual era a estratégia da águia? Punha-se a voar cada vez mais alto até chegar perto do sol. Então as penas se incendiavam e ela toda começava a arder. Quando chegava a este ponto extremo, ela se precipitava do céu e se lançava qual flecha nas águas frias do lago. O fogo nela se apagava.
E então ocorria a grande transformação. Através desta experiência de fogo e de água, a velha águia voltava a ter penas novas, garras afiadas, olhos penetrantes e o vigor da juventude.
Queremos aplicar este mito ao PT metido numa crise crucial que o obriga a renovar-se como a águia ou aceitar o lento envelhecimento até perder todo o vigor vital e a capacidade de renovação da sociedade, como era seu sonho primordial.
Para entender melhor esse relato e aplicá-lo ao PT precisamos revisitar o filósofo Gaston Bachelard e o psicanalista C. G. Jung que entendiam muito de mitos e de seu sentido profundo. Segundo eles, fogo e água são opostos. Mas quando unidos, se fazem poderosos símbolos de transformação.
O fogo simboliza a consciência, o vigor e a determinação de abrir caminhos novos. A água, ao contrário, representa as forças do inconsciente, as dimensões do cuidado e a capacidade de entender o sentido secreto das crises.
Passar pelo fogo e pela água significa, portanto, integrar em si os opostos: a determinação com a descoberta do sentido real das crises. Elas acontecem para purificar, limpar de todo tipo de agregado e deixar aparecer o essencial. Ninguém ao passar pelo fogo ou pela água permanece intocado. Ou sucumbe ou se transfigura, porque a água lava e o fogo purifica.
A água nos faz pensar também nas grandes enchentes como conhecemos em 2011 nas cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro. Com sua força tudo carregaram, especialmente o que não tinha consistência e solidez. Numa única noite morreram 903 pessoas e 32 mil ficaram desabrigadas. Foi um cataclismo de ressonância mundial. É o poder invencível da água.
O fogo nos faz imaginar o cadinho ou as fornalhas que queimam e acrisolam tudo o que é ganga e que não é essencial. O ouro e a prata passam por esse processo purificador do fogo.
São notórias as crises existenciais. Ao fazermos esta travessia pela “noite escura e medonha”, como dizem os mestres espirituais, deixamos aflorar nosso eu profundo sem as ilusões do ego superficial. Então amadurecemos para aquilo que é em nós autenticamente humano e verdadeiro. Quem recebe o batismo de fogo e de água rejuvenesce como a águia do mito antigo.
Mas existem também as crises maiores, de todo um projeto e mesmo de todo um partido como o PT. Ele tem que assumir a verdade: teve muitos acertos que beneficiaram milhões que viviam na pobreza e na marginalidade. Mas também cometeu erros evitáveis: deixou-se tomar pelo “demônio” do poder como fim em si mesmo quando deve ser sempre meio. Houve vergonhosa corrupção de pessoas importantes que destruíram o sonho de toda uma multidão que acreditava e se esforçava para viver o novo factível.
Mas abstraindo das metáforas e indo diretamente ao conteúdo real: que significa concretamente para o PT rejuvenescer-se como a águia? Significa entregar à morte tudo o que de errado praticou e que impede o sonho de despertar.
O velho no PT são os hábitos e as atitudes da velha política que servia de instrumento para crescer e perpetuar-se no poder. Com isso perdeu o sentido originário do poder como meio de transformação em benefício das grandes maiorias e jamais como fim em si mesmo. Tudo isso deve ser entregue à morte para o PT poder inaugurar uma forma de relação com os verdadeiros portadores do poder que é o povo e os movimentos sociais.
Rejuvenescer-se como águia significa também desprender-se de convicções enrijecidas, de certa arrogância de representar o melhor caminho e de alimentar a pretensão de estar sempre certo. Muitos dirigentes continuam manejando conceitos ultrapassados, incapazes de oferecer respostas novas à crise que devasta os países centrais e agora nos atinge poderosamente. Rejunecer-se como águia significa ter coragem para recomeçar e estar sempre aberto a escutar, a aprender e a revisar.
Mas não é isso que está ocrrendo. Até hoje esperamos uma revisão sincera e o reconhecimento público de seus erros. Seus líderes imaginam que assim fazendo, dão armas aos adversários, quando mostrariam ser mais fiéis mais à verdade do que à própria imagem.
O PT que se apresentava como uma águia de alto voo, corre o risco de se transformar em galinha comum que apenas cisca o chão e faz voos rasteiros. Não é esse o destino que a história lhe quer reservar.
Por último, se o PT quiser se renovar como uma águia deve regressar ao seio do povo. Este lhe dará belos exemplos de luta, de trabalho, de inteireza ética e também duras lições. Essa imersão é salvadora e renovadora como foi para a águia o arder em fogo e o mergulhar nas águas frias. Só assim pôde se rejuvenescer. Para o PT isso não é uma metáfora mas um desafio.
Leonardo Boff é colunista do JB on line e escritor



domingo, 9 de agosto de 2015

QUAL O SABOR DA LAMA?

NOTA DO BLOG: Vem à mente nesse momento uma ideia, um insight. Publicar no nosso blog Mutum Socialista uma série de reflexões de gente que a gente acredita serem sinceras em suas observações, denominada QUAL O SABOR DA LAMA?
Nada melhor que o texto de Rudá Ricci, sociólogo de Belo Horizonte, postado em sua página do facebook RUDÁ GUEDES RICCI para iniciar essa série.




QUANDO O PROBLEMA CHEGA À QUEDA DE LEGITIMIDADE

Legitimidade é o conceito básico da relação democrática. O voto é uma expressão popular das intenções e crenças do eleitor que legitima o eleito. Contudo, se o eleito foge deste consenso original, perde legitimidade como um asmático perde capacidade para absorver oxigênio. Conseguir obediência sem necessitar usar a força é um dos sinais do poder legítimo. Gerar consensos entre membros da sociedade e das forças políticas hegemônicas do país é outro sinal. Esta é a fonte da autoridade eleita.
A situação do governo Dilma é, neste sentido, desesperadora. Perdeu em um semestre o aval que o país lhe conferiu pelas urnas. Por qual motivo? Os dados recentes indicam que é reflexo do pacote econômico, que desde o início denominei de "suicida", que rompeu com toda a lógica do lulismo e, pior, com a promessa de campanha.
Dilma já se revelou, no primeiro mandato, incapaz de agregar. É tecnocrata e, assim, bateu de frente com a suposição de Max Weber sobre o perfil e a ética das lideranças políticas. Weber sustentava que, ao contrário da ética do cientista, o político não pode ser intransigente e defender ao limite sua verdade sob pena de se tornar tirano. A ética política democrática sugere transigir.
Dilma ficou famosa por ser intransigente e agressiva. Também é de conhecimento público que sob sua batuta, parte significativa do arco de alianças montado por Lula se desfez. O pacote econômico recessivo e monetarista foi a outra peça que desfez o jogo de varetas que estrutura a legitimidade do lulismo. Nordeste perde empregos e investimentos. Os pobres compram menos. Os assalariados perdem empregos.
Para piorar a situação, em seis meses, a direção nacional do PT se revelou impotente e não conseguiu criar um fato político positivo. O arremedo de encontro nacional em Salvador prometia algo de novo e terminou melancólico, com mais do mesmo.
O governo Dilma foi se paralisando, como que tomado por pânico, abrindo mais e mais espaço para Michel Temer até que se forjou um consenso exógeno ao governo de que o vice-Presidente da República era mais talhado que a titular. Jornalões e federações empresariais poderosas sinalizaram o consenso. Mas não ficou por aí. Frei Betto e Valter Pomar produziram entrevistas e ensaios em que ficou nítido que a hora de baixar a bola parecia ter chegado.
A deslegitimação acelerada abriu espaço para aventureiros. E eles já começam a ser nomeados pelos atores que citei acima. Citam Eduardo Cunha, mas também Aécio Neves. Por motivos diferentes, esses dois personagens oposicionistas jogam suas fichas num desfecho dramático em relação ao governo, pouco se importando com a estabilidade do país. Um, parece ferido por não ser blindado das investigações da Operação Lava Jato. Outro, sabe que em caso de eleição antecipada, seu nome ainda estará fresco na memória do eleitor como o último candidato que enfrentou Dilma Rousseff. O tempo de ambos está se esgotando. Passado este semestre, é provável que mergulhem no ostracismo. Cunha poderá ser alvejado em pleno início de voo. Aécio cederá lugar ao governador paulista, aliás, o verdadeiro artífice de sua ida ao segundo turno das eleições do ano passado, já que em terras mineiras, o senador mineiro foi três vezes derrotado pelas urnas.
Para debelar a aventura golpista, o PT terá que ceder. A questão é: o que ceder? As especulações são muitas e várias "demandas" já foram apresentadas. O governo, mais uma vez, reage (nunca se antecipa) e "vaza" nomes de uma possível reforma ministerial se arriscando ao isolamento profundo, caso tais indicados recusem esta possibilidade publicamente.
O tempo parece curto, mas os indícios parecem apontar para um acordo geral, um pacto de estabilidade política, tendo Michel Temer como o fiel da balança. O PT terá que ceder. Em quatro anos, perdeu todo capital que conseguiu construir em décadas ou, para não ser tão catastrófico, que construiu ao longo dos governos Lula.

sábado, 8 de agosto de 2015

LANÇAMENTO DA FRENTE EM DEFESA DO BRASIL

MINAS SE LEVANTA


Foi nessa sexta-feira que aconteceu em Belo Horizonte com a presença do filósofo Leonardo Boff que aconteceu o lançamento da Frente Mineira Pelo Brasil.

Em sua carta de lançamento, a Frente Mineira Pelo Brasil faz alusão a dois momentos históricos de Minas Gerais.

Trazemos desde a Inconfidência Mineira o sonho da liberdade. E esse sonho está expresso em nossa bandeira. Naquele momento libertar-se, era rebelar-se contra o Reino de Portugal, ainda que no bojo dessa libertação estivesse ideias liberais.

FOTO: POSTADO POR ROGÉRIO CORREIA
Outro momento foi recente. Os 12 anos de governo tucano onde o sucateamento do serviço público foi apenas a ponta de um iceberg que se estruturava sobre a política desastrada que o estado adotou com a distorcida ideia do Estado Mínimo.

Essa mesma direita que aqui destruiu o estado, de maneira predatória, é a que quer tomar o Brasil de assalto.

Sabemos que há situações a serem superadas. O nosso projeto de Poder Popular atravessa mares bravios. Mas os movimentos populares e setores progressistas, bem como autoridades com atuação em consonância com a sociedade organizada, não pode assistir a esse assalto que a direita orquestra de braços cruzados. O Brasil não pode retroceder.

Leia abaixo a Carta de Lançamento da Frente Mineira Pelo Brasil:


MINAS SE LEVANTA EM DEFESA DO BRASIL

Carta de lançamento da Frente Mineira pelo Brasil
FOTO POSTADA POR PADRE JOÃO PT

Belo Horizonte 7 de agosto de 2015
Percebemos em curso a restauração e alinhamento de um campo neoliberal antipopular e antinacional, demarcado pelo Imperialismo e composto pela grande mídia, a oligarquia financeira, líderes políticos conservadores e setores do judiciário.
Estes atacam os direitos sociais, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, a soberania nacional e orquestram pretextos artificiais para a interrupção da legalidade democrática.
Aproveitam-se para isto do aprofundamento da crise econômica internacional e de erros cometidos por setores democráticos e populares, entre os quais aqueles cometidos pelo governo federal.
A Frente Mineira pelo Brasil se posiciona convicta e firmemente contra qualquer tentativa de golpear o Estado Democrático de Direito.
O combate à corrupção é dever do Governo e de toda a sociedade, mas a operação Lava-Jato não pode manter sua descarada seletividade, ou deixará de cumprir a função de expor os desvios e promiscuidades estabelecidas entre o setor privado e o Estado.
Nesse sentido a Frente Mineira pelo Brasil chama atenção para que no debate da reforma política seja privilegiado o debate do fim do financiamento privado de campanhas eleitorais.
No Congresso Nacional, o mais conservador e mais caro desde a abertura democrática, busca-se a aprovação de uma contrarreforma política, a redução da maioridade penal, a generalização da terceirização no trabalho e a alteração na Lei de Partilha do Pré-Sal, onde se sedimentam os planos de privatização da Petrobrás, a maior empresa do país.
Portanto, não há governabilidade ou pacto possível no terreno antipopular capitaneado por Eduardo Cunha!
O braço ideológico e mobilizador do bloco conservador, a grande mídia, cultiva o ódio entre o povo e dissemina o veneno a ser inoculado nas veias da Democracia.
Com isso, prepara palco para a naturalização das pretensões das elites reacionárias e enfurecidas de retornarem ao poder central mesmo que para isso precisem arrastar o país para o fundo do poço.
A desfaçatez com que foi tratado o ataque fascista ao Instituto Lula é sintomático da completa ausência de compromisso democrático desta grande mídia.
Barrar o golpismo, isolá-lo e derrota-lo é a missão urgente a ser enfrentada. Somente uma ampla unidade será capaz de realizá-la. A Frente Mineira pelo Brasil se coloca nesta trincheira.
GOVERNABILIDADE POPULAR
Nos últimos meses as organizações sociais do povo brasileiro deram uma poderosa demonstração de que há muita energia para resistir e superar o avanço conservador.
FOTO POSTADA POR PADRE JOÃO PT
As dezenas de atos e manifestações realizadas impediram que retrocessos maiores acontecessem. Essa resistência indica o caminho a ser perseguido no próximo período. O programa vitorioso em 2014 precisa ser resgatado.
Não é mais aceitável que 0,3% dos que declaram imposto de renda no Brasil detenham 22,7% da riqueza do país e que as grandes fortunas, heranças e o rentismo não sejam taxados, especialmente em um momento de crise internacional em que a conta é empurrada sobre a classe trabalhadora mundo afora.
A democracia brasileira é amordaçada pelo poder do dinheiro privado na definição das eleições e pelo monopólio dos meios de comunicação.
As grandes cidades são estranguladas pela especulação imobiliária e pelos oligopólios do transporte público. O campo clama por uma reforma agrária popular.
O extermínio dos jovens pobres e negros nas periferias é o retrato mais dramático da necessidade de construção de um vigoroso processo de lutas por avanços em direitos sociais, econômicos, cultuais e políticos.
O Brasil precisa construir um outro ciclo de desenvolvimento para atender as históricas e as novas demandas de seu povo.
Este ciclo deve almejar em seu horizonte a realização de reformas democráticas e estruturais, ampliação de direitos sociais, uma política econômica marcada pela geração de emprego, distribuição de renda e fortalecimento da indústria nacional ao contrário da política de juros altos vigentes.
Este ciclo somente se abrirá e será vindouro se for conduzido pela força social organizada de milhões de brasileiros.
Os mineiros conheceram, combateram e derrotaram o projeto conservador que pretende se restaurar no país. A reforma neoliberal do Estado batizada de Choque de Gestão e conduzida por Aécio Neves foi a responsável por colocar Minas na pior situação de sua história.
A realidade ocultada por doze anos, mas amargada pelo povo mineiro, veio à luz: elevação da dívida pública, precarização do funcionalismo público e serviços públicos e fragilização da indústria, economia e empresas públicas.
Sem falar das denúncias de corrupção sistematicamente blindadas pelo aparato conservador da grande mídia, Ministério Público, Tribunal de Contas e demais órgãos de controle.
A resposta do povo chegou nas eleições de 2014, o campo conservador perdeu em Minas nos dois turnos e foram exemplarmente derrotados no primeiro turno da eleição para o Governo Estadual.
Conscientes de nossa responsabilidade nesse momento do país, novamente nos embandeiramos de esperança e ousamos enfrentar o conflito necessário.
A história de nosso país é a história da luta de seu povo. A herança maior de Minas para a construção da nação brasileira é o exemplo da luta do povo pela Liberdade.

É com este espírito, alicerçado nos interesses e lutas do povo brasileiro, que nasce a Frente Mineira pelo Brasil.

FONTE: VIOMUNDO