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sábado, 13 de agosto de 2016

90 ANOS DE FIDEL: A MUDANÇA DE REFERÊNCIA ENTRE TRÊS GERAÇÕES

90 ANOS DE FIDEL: A MUDANÇA DE REFERÊNCIA ENTRE TRÊS GERAÇÕES

SÉRIE: OBSERVAÇÕES DE RUDÁ
Sartre e Simone pelo mar cubano

Hoje, Fidel faz 90 anos. O que me leva a pensar sobre o que ele representa para os jovens, nesta quadra do Século XXI. Por que jovens? Porque Fidel foi um símbolo de rebeldia para os jovens dos anos 1960, uma geração mais velha que a minha. 

Acredito que a imagem mais poderosa para aquela geração é esta foto que ilustra esta nota. No início de 1960, pouco mais de um ano após a revolução cubana, Sartre e Simone de Beauvoir passaram um mês em Cuba. A viagem teve um impacto tão forte sobre parte da juventude ocidental quanto a entrada de cabeça de Régis Debray pela ilha.
Aliás, Debray passou pelo Rio de Janeiro em 1964, na tentativa de contatar Carlos Marighella. Tinha 24 anos. Mais tarde, se lançou na guerrilha ao lado de Che Guevara, foi preso na Bolívia e condenado à 30 anos de prisão. Só foi solto em 1970 porque Sartre articulou uma campanha internacional de intelectuais na defesa de Debray.

O fato é que Fidel virou um ícone de rebeldia juvenil, um sopro de vida no mundo quase vitoriano que era superado por tantos outros atos de rebeldia da juventude, a começar pelos hippies e Beatles, além dos Rolling Stones, na esteira da avenida aberta pela geração perdida de Hemingway, Fitzgerald e Gertrude Stein e da geração explosiva de Kerouac e Ginsberg. 

O mundo parecia dos jovens e Fidel e Che Guevara parecia o braço político e latino-americano desta ponta do iceberg.
De alguma maneira, a rebeldia agressiva (e violenta) incentivou arroubos políticos da mesma geração aqui no Brasil (de Brizola à Mariguella, passando pelo engajamento de tantos jovens que decidiram enfrentar a ditadura colocando suas próprias vidas em risco).
A minha geração percebeu em Fidel um quase-mito. Parte de nós acompanhou as viagens organizadas por Fernando Morais e Chico Buarque à Cuba, levando consigo Gonzaguinha e tantos outros artistas tão admirados pelos jovens de então. Lemos "A Ilha". Sentimos as tensões entre Cuba e URSS e acabamos nos surpreendendo com as contradições que pipocaram nos relatos de Gabeira e de tantos que viajaram para lá e se chocaram com a falta de perspectiva de tantos jovens que pediam para os turistas para deixarem seus tênis. O filme "Antes do Anoitecer", sobre o poeta gay Reynaldo Arenas (interpretado por Javier Bardem) arranhou profundamente nossa crença de que por lá se construía um mundo mais justo para todos. Mas, ainda assim, o orgulho negro dos cubanos, as políticas de saúde e educação e o enfrentamento corajoso de um mundo liliputiano contra a maior potência bélica e econômica do mundo, deixavam a todos boquiabertos. Padura (o autor do comovente e genial "O Homem que Amava os Cachorros") parece ter conseguido traduzir o sentimento que Cuba deixou em nossa geração: admiramos e lamentamos.
Até que chegamos à geração atual. Na passagem da minha para a Geração Y ou Z, Fidel foi substituído por Che Guevara. Che era mais jovem, morreu rebelde contra todas as formas de poder, incluindo a montada pelo castrismo. Che foi estampado em camisetas e sua foto imponente registrada e concebida por Alberto Díaz, também conhecido como Korda, parecia confirmar a força interior da juventude, desdenhando o chão do cotidiano.
A novíssima geração de jovens rejeita grandes narrativas. Rejeita o poder hierárquico e os jogos de dissimulação. Gostam do papo reto, ácido e se organizam em comunidades (que alguns gostam de denominar de coletivos). Não parece haver espaço para gente como Fidel.
Aos 90 anos, Fidel parece cada vez mais com o cavaleiro da triste figura. Com a exceção significativa que lutou contra os moinhos de vento e ganhou, ainda que parcialmente. Mas, para a juventude atual, parece distante e, ele mesmo, parece ter construído um moinho para si. Afinal, não se vê jovens cubanos dirigindo Cuba. Todos dirigentes parecem fardados. As disputas são palacianas. Felizmente, filha de Raúl Castro, Mariela, apóia a luta LGBT na ilha de Fidel.
Recentemente, liderou uma parada gay que tinha como slogan "Abaixo a Homofobia", na cidade de Cienfuegos (nome de outro ícone incompreendido da revolução cubana). Mariela é filha de Vilma Espín, líder feminista cubana.
Enfim, Fidel faz 90 anos e ainda é referência para parte da geração anterior à minha e parte da minha geração. Evidentemente, a porção mais à esquerda ou democrata das duas gerações. Mas é preciso compreender que, assim como o físico de Fidel, sua imagem envelheceu. E assim como o corpo, sua obra apresenta fissuras. Para os jovens, a imagem de Fidel não é esta em pé, na lancha que levava Sartre e Simone pelo mar cubano. Mais que isto, os jovens de hoje parecem não se moverem por ícones ou ídolos. Eles preferem a si mesmos.

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domingo, 2 de agosto de 2015

ESTAMOS BEM DE SAÚDE

ESTAMOS BEM DE SAÚDE (EM CUBA)

NOTA DO BLOG: Cuba vai muito bem de saúde. Pode não ter dinheiro, mas saúde sim. É costume falar que "primeiro a saúde e depois o dinheiro".

Com países capitalistas como o Brasil, infelizmente o PT não quis ou não conseguiu implantar o socialismo, primeiro vem o dinheiro. Em qualquer crise econômica setores públicos com saúde sofre e consequentemente quem precisa dos sistemas públicos, ou, seja a classe trabalhadora.

Esse blog, Mutum Socialista, ao compartilhar esse artigo do PORTAL VERMELHO, quer afirmar que é possível um sistema político que não fique a mercê das crises do capitalismo.

LEIA O TEXTO ABAIXO, É INTERESSANTE
Saúde de Cuba
Jaime Sautchuk *

A Organização Mundial de Saúde (OMS) acaba de divulgar novos dados sobre a situação global da saúde pública, país por país, e coloca Cuba no topo do mundo. O tema acabou gerando fartas matérias na mídia e debates nas redes sociais da Internet no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

Nos Estados Unidos, as redes de TV dedicaram bons espaços ao assunto. Em alguns casos, na tentativa de desacreditar os dados da entidade maior da área em plano global. Não é de se estranhar. Há até quem afirme que os dados não são confiáveis, pois seriam oficiais do governo cubano, e este poderia estar manipulando.

É falta de conhecimento ou pura má-fé. Os organismos da ONU têm seus mecanismos para aferir a acuidade dos dados que utilizam. Eu trabalhei alguns anos no Unicef e sei como funciona. Pode até haver casos de divulgação de dados imprecisos sobre algum país, mas por certo não seria o caso de Cuba.

O fato é que algumas das mais respeitadas publicações científicas do planeta também dedicaram espaços ao tema e, aí sim, com a isenção que o assunto merece. De um modo geral, a conclusão é de que o sistema de saúde da Ilha é de fato muito bom e os resultados surgem ao longo dos anos. Não são casos isolados, é progresso social.

O britânico “New England Journal of Medicine”, por exemplo, em edição de janeiro último, ressalta o fato de que Cuba “apesar de ter recursos econômicos limitados, conseguiu resolver problemas que nós até hoje não conseguimos alcançar”.

O texto deixa claro que o autor foi a Cuba para conferir as avaliações da OMS e, caso a intenção fosse de rebatê-las, o tiro saiu pela culatra. É certo que o artigo aponta deficiências do sistema, em especial quanto a equipamentos de última geração e a atualização dos profissionais diante dos avanços da Medicina mundo afora.


Ressalta, contudo, que a questão dos equipamentos é compensada, com sobra, pela capacitação dos profissionais de saúde. Cita dados de 2008, quando havia 37.000 desses profissionais cubanos, especialmente médicos, trabalhando em 70 países. 
A maioria desses profissionais estava em ações de solidariedade no Haiti, na África, Oriente Médio, planeta afora enfim. Mas é ressaltado o fato de que boa parte deles atuava em países do primeiro mundo, o que acaba sendo uma fonte de renda para o país.

O segredo cubano está do atendimento preventivo, feito nas casas das pessoas, o que implica ações no campo da higiene e qualidade da água, envolvendo toda a família. Cada médico generalista tem mil pessoas sob o seu cuidado. 

Todos esses pacientes são visitados em casa no mínimo uma vez por ano. O atendimento por especialistas e eventual internação entram sempre que necessário, mas nunca como primeiro recurso.

Uma aparente deficiência na atualização científica e tecnológica dos profissionais do setor – reveladas, por exemplo, pela dificuldade de acesso à internet – é compensada por uma enorme variedade de publicações científicas produzidas por universidades e instituições cubanas ligadas à saúde.

É de grande valia, também, outro avanço da sociedade cubana nas últimas décadas, que é a Educação. A taxa de analfabetismo no país não chega a mísero1%, segundo o artigo, e nas escolas os cuidados com a saúde são partes fundamentais dos currículos.

O índice de mortalidade infantil, que na década de 50 era de 80 crianças por cada 1000 nascidas vivas, hoje é de 5 por 1000, o que, destaca o autor, é superior à dos EUA. Também é desse nível a expectativa de vida de 78 anos, uma das mais altas do mundo.

“Sem dúvida alguma, esses resultados são decorrentes da educação e do padrão de nutrição da sociedade cubana”, diz ainda o artigo. E aponta, é claro, esse desempenho como fator primordial para a qualidade de vida da população.

E entra na roda, então, o aspecto da indústria farmacêutica, talvez a maior surpresa para o jornal britânico. As indústrias cubanas são top de linha e toda a produção é desenvolvida com tecnologia própria. Produz medicamentos para tudo o que se imaginar.

Os profissionais de biotecnologia são formados em Cuba mesmo, mas muitos são enviados para especializações nas melhores universidades do mundo, estejam onde estiverem. O resultado é que todo remédio é gratuito no sistema local e, além disso, essa produção tem hoje forte peso na pauta de exportações do país.

Outras publicações e participantes de grupos de profissionais de saúde em redes internéticas buscam fazer comparações. Mas, no fim das contas, todos acabam concordando em que é difícil comparar. Mesmo com países tidos como referências em saúde, como Canadá, Suécia ou Grã-Bretanha.

Salta aos olhos, assim, que a saúde, em Cuba, não é apenas das pessoas cubanas. É a saúde do país.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

CHE GUEVARA: O PULSO AINDA PULSA

NOTA DO BLOG: Por que postar um texto de 21 de julho de 2013 sobre Che Guevara?
Há várias respostas para isso:

1) Todas as gerações deverá saber quem foi esse grande homem, e sobretudo esse grande sonhador;
2) O sonho da América como uma grande Pátria ainda lateja;
3) Em momento que o mundo parece querer retroceder, é preciso soprar sobre as brasas revolucionárias;
4) Ainda que tenhamos a feito experiências como sandinismo, lulismo, bolivarismo, e outros ismos por essa América Latina, as veias ainda continuam abertas;
5) Lembrar de Che Guevara e como foi seu falecimento, é lembrar como os Estados Unidos um dia julgou a América Latina importante e até nos esfolear, hoje os olhos do Tio Sam estão mirando o Oriente Médio;
6) Ainda tenho o sonho de consolidar a FGM (FRENTE GUEVARISTA MUTUENSE) como sonho de juventude que ficou sem consolidar pois a juventude passou, os sonhos ainda não;
7) Em ano que se lembra e "descelebra" os 50 anos do Golpe Militar no Brasil, é preciso lembrar desse contesto, Brasil jamais seria uma Cuba, mas Brasil, Cuba e todos os demais países seriam uma grande Pátria de igualdade social;
8) Falar de Che Guevara não tem preço, mas o blog tem espaço, então vamos apenas deixar aqui um convite para quem ainda não conhece a história desse revolucionário que virou mito.

Leia o texto de: BLOG COMENTARISTA POLITICO

Unesco reconhece vida e obra de comunista como patrimônio da humanidade
Publicado em 21 de julho de 2013

O argentino nascido em Rosário, Província de Santa Fé em 14 de Junho de 1928, Ernesto Che Guevara fez de sua vida uma das maiores contribuições para a libertação dos povos da América latina e do mundo. Agora a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, reconhece os escritos do revolucionário como Patrimônio da Humanidade. Os documentos foram incluídos no Programa de Memória do Mundo. Este programa que possui em seu registro 299 documentos e coleções dos cinco continentes agora conta com 431 manuscritos do Che, 567 documentos sobre sua vida e obra, assim como uma seleção de materiais iconográficos, cinematográficos, cartográficos e objetos para museu. Para Juan Antonio Fernández, presidente da Comissão Nacional Cubana da Unesco, esta decisão reconhece a “contribuição do Che ao pensamento revolucionário latino-americano e mundial, que o converteram em símbolo de rebeldia, de liberação e internacionalismo”.
O exemplo do guerrilheiro heroico ultrapassa as barreiras do tempo e até hoje inspira os revolucionários do mundo. Che, como era carinhosamente chamado entre os guerrilheiros do movimento 26 de Julho, ficou conhecido por utilizar de suas próprias atitudes para demonstrar como deve se comportar um revolucionário frente a diversas situações, seja da vida cotidiana, seja no front de batalha. Ernesto nunca se recusava a uma tarefa e defendia que um revolucionário deve estar onde a revolução necessita. Enquanto Ministro da Indústria foi um grande entusiasta do trabalho voluntário como emulação comunista, ele próprio se dedicou durante anos ao trabalho voluntário na produção, uma vez por semana.
Sobretudo, Che era um internacionalista e ao cumprir com suas tarefas em Cuba, foi construir a revolução no mundo. Passando pela África e por fim voltando à América Latina o guerrilheiro foi assassinado na Bolívia sob orientação e apoio da CIA em 9 de outubro de 1967. Ainda assim, Che vive, nas lutas dos povos do mundo para libertarem-se da opressão. Suas ideias estão mais vivas do que nunca. Seu exemplo arrasta milhões todos os anos para as lutas. Sobre Che, não há melhores palavras do que as de seu amigo e camarada Fidel quando diz, “Se queremos um modelo de homem, um modelo de homem que não pertence a este tempo, um modelo de homem que pertence ao futuro, de coração digo que esse modelo, sem uma mancha em sua conduta, sem uma só mancha em suas atitudes, sem uma só mancha em sua atuação, esse modelo é Che! Se queremos expressar como desejamos que sejam nossos filhos, devemos dizer com todo o coração de veementes revolucionários: queremos que sejam como Che!”
(Esta matéria foi publicada na versão impressa do Jornal A Verdade n°153)

sábado, 13 de agosto de 2011

FIDEL, FELICIDADES...


13 AGOSTO 2011




Fidel Castro: um homem que não se ajoelha, cria asas

Por Brizola Neto em seu blog Tijolaço

O tempo, aos seres humanos, vai nos substituindo de presença para memória.

Na equação entre passado e presente que resulta no futuro, vamos nos tornando o primeiro, em lugar do segundo.

E aí, quando as décadas nos encolhem e encurvam, o valor dos atos humanos, dependendo do que fomos e fizemos, mingua ou reluz.

Há muito tempo, Victor Hugo escreveu, em seu magnífico "Os trabalhadores do Mar", que diante do desconhecido e do medo trazido pela noite, "um homem abate-se, ajoelha-se, prosterna-se, roja-se, arrasta-se para um buraco, ou então procura asas."

Sim, porque homens têm asas, e essas asas se chamam sonho, e este sonho, se vira luta, torna-os gigantes, ainda quando o tempo apequena e fragiliza seus corpos.

Tão grandes que a grandeza os sublima, e os faz seguir, teimosamente, dando aos sonhos que encarnaram as últimas gotas de suas vidas, seus pensamentos, as lições que aprenderam e que seus nomes espalham ainda.

Fidel Castro faz, hoje (13/08/11), 85 anos.

Aquele a quem tantas vezes se tentou matar enfrenta o tempo com a serenidade de quem sabe que seguirá vivendo. Um pouco mais, como homem. Muito e muito mais, como um grande pássaro, ao qual o sonho e a luta deram - ele deu a uma geração inteira – asas para voar e vencer o medo.

Longa vida a Fidel e vida eterna a seus sonhos!