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quarta-feira, 22 de julho de 2015

JOÃO PAULO: UM MUTUENSE NA UNE


Retomando as atividades blogueiras, temos na série DIÁLOGOS DE BASE um bate papo com JOÃO PAULO FURTADO DE OLIVEIRA, que estuda na UFMG e fez parte recentemente da Diretoria de Direitos Humanos da UNE (União Nacional dos Estudantes). Militante do movimento estudantil, merece nossa atenção por si tratar de um mutuense em uma entidade de alcance nacional.

1) Você é filho de nossa terra e fez parte recente da UNE. Mas nos fale primeiro da sua vida acadêmica. Onde e qual curso você estuda? Por que escolher um curso na área das ciências humanas?
Faço ciências sociais na UFMG, em Belo Horizonte. Um dos principais motivos que me levaram ao campo das ciências humanas foi minha militância, o desejo de contribuir melhor para as lutas sociais que travamos no dia-a-dia através dos movimentos populares, pastorais e outros espaços.

2) Como surgiu a sua militância política e social?
Parte de minha militância veio de berço. Vivi toda minha infância com o envolvimento de minha família na militância partidária, nas CEBs e pastorais sociais. Com mais ou menos 15 anos entrei no grupo de jovens Escalada, que funcionava até pouco tempo na comunidade São Sebastião (no bairro Cantinho do Céu), com pouco tempo já assumi tarefas de coordenação na PJ. Dias depois de completar 16 anos, fui logo tirar meu título e já pedi minha filiação ao Partido dos Trabalhadores.

3) Em que a PJ (pastoral da juventude) contribuiu para a sua militância?
Embora tenha tido influência dentro de casa, meu envolvimento na Pastoral da Juventude foi fundamental pra me inserir de vez na militância social e política. A PJ tem uma dinâmica muito própria de inserção do jovem na vida comunitária, o que poucos grupos de juventude conseguem fazer com tamanho êxito nesses tempos de extremo individualismo. Quando nos identificamos enquanto comunidade, nossa vontade de mudar as coisas, desde o âmbito mais local até o mais global, cresce muito e, com isso, aumenta também nosso interesse pela política.

4) Como foi seu engajamento no movimento estudantil?
Antes de falar do meu engajamento no movimento estudantil quero falar um pouco da experiência que tive quando mudei para outra cidade. Foi, com toda certeza, um momento muito marcante pra mim, porque tive que abandonar minha vida em Mutum pra viver em outro contexto, em outra cultura, em outro ritmo. Essa mudança me fez afastar de qualquer espaço de militância naquele período. Eu tinha certa aversão ao movimento estudantil pelo ambiente de disputa, nem um pouco saudável, que existe lá dentro o tempo todo. Num certo momento, percebi que as críticas que eu tinha eram compartilhadas também por outras pessoas (algumas da PJ que conheci na universidade). Foi daí que resolvemos construir uma chapa para disputar o Diretório Central dos Estudantes da UFMG no final de 2012, e ganhamos. Assumi a tesouraria do DCE e organizei com outros amigos um coletivo de movimento estudantil, a partir daí eu me reencontrei com a militância.

5) Como você chegou a uma diretoria da UNE?
Sem sombra de dúvida, aquela plataforma que a gente apresentou com a nossa chapa em 2012 contagiou grande parte do movimento estudantil do Brasil inteiro, afinal o DCE-UFMG é um dos maiores do país. Logo que assumi a gestão na executiva do DCE, já recebi o convite do coletivo que fazia parte nacionalmente para representá-los na direção da UNE. A nossa tese Refazendo a UNE, que integrava o Campo Popular junto com outros coletivos, conseguiu eleger a 2º Diretoria de Direitos Humanos que eu ocupei de agosto de 2013 até dia 14 desse mês de julho, quando outra gestão tomou posse.

6) Quais ações você desenvolveu na UNE?
Nossa gestão na UNE foi marcada logo de início pela turbulência política em nosso país naquele ano e que segue até hoje. Poucas vezes na história a bandeira dos direitos humanos foi levantada tantas vezes nos debates públicos pelo Brasil afora. O estopim de junho de 2013 não foi o aumento das passagens de ônibus, foi a truculência da polícia militar que indignou milhões de jovens que resolveram sair às ruas para cobrar mais direitos do Estado. Já no final de 2013, participamos ativamente dos debates no Fórum Mundial de Direitos Humanos realizado em Brasília. Em 2014, organizamos várias intervenções da UNE nos atos de “descomemoração” do cinqüentenário do golpe de 64, fazendo uma ampla campanha que exigia a revisão da Lei da Anistia e o fim dos resquícios da ditadura, incluindo a polícia militar. Participamos também das mobilizações em torno da aprovação do Plano Nacional de Educação que garantiu a meta de investimento de 10% do PIB para a educação pública em até 10 anos.

7) Como você vê o movimento estudantil hoje?
O movimento estudantil tem que se reinventar urgentemente. Se junho de 2013 deu um recado muito claro pro Estado brasileiro, também o deu para as organizações sociais e políticas de nosso país que sofrem de uma grave crise de representação. Todos os momentos de maior participação política em nossa história foram acompanhados pela capacidade de mobilização e liderança dos movimentos populares. A UNE, que esteve à frente das maiores lutas da juventude brasileira desde sua fundação na década de 30, já não consegue mais dialogar com a base dos estudantes, muito menos da juventude. Tivemos um período de grande ascensão social e pela primeira vez a classe trabalhadora está nos bancos da universidade. Contraditoriamente, o movimento estudantil ainda não conseguiu dialogar com essa nova classe trabalhadora e sofre as consequências políticas disso.

8) Em que precisamos, enquanto sociedade, avançar nas questões de direitos humanos?
Vivemos um período triste em nossa história. Nas últimas eleições, a sociedade brasileira elegeu o congresso mais conservador desde 1964 (ano do golpe de Estado), e esse congresso é o reflexo do crescimento de forças reacionárias em nosso país. Todo dia temos visto notícias de intolerância por motivação religiosa, política, étnica, entre outras. Diariamente pessoas têm sido violentadas por questão de gênero, raça ou orientação sexual. Tudo isso é incompatível com a ideia de um Estado democrático e laico, como está garantido em nossa Constituição.
Precisamos avançar e muito em nossas lutas pela garantia dos direitos humanos, mas nossos enfrentamentos mais urgentes, hoje, são para impedir o retrocesso. Se for pra sintetizar tudo em um único exemplo podemos citar a PEC que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Toda a argumentação usada pelos setores que defendem a proposta se baseia no combate à impunidade. É preciso que se diga que nenhum dos países que reduziram a maioridade penal reduziram a violência, que a ideia de que no Brasil todo tipo de crime fica impune é falsa porque temos a 4º maior população carcerária do mundo e também que as condições de nosso sistema penitenciário são desumanas. Encarcerar a juventude não resolve o problema da violência e ainda aumenta outros problemas já existentes.
A elite, os setores conservadores e a grande mídia criaram um imaginário em nossa sociedade de que direitos humanos foi inventado pra proteger bandido. É preciso, antes de tudo, tomar para nós a tarefa de desconstruir esse pensamento todo dia. A garantia dos direitos humanos é parte fundamental da construção de qualquer democracia no mundo.

9) Qual recado você quer deixar nessa entrevista para a juventude?

Como militante jovem, o convite que eu faço é para que a juventude assumam seu protagonismo enquanto sujeito de direitos. Um jovem guerrilheiro já falava, há um tempo atrás, que ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética. A história é testemunha de que o mundo mudou pra melhor toda vez que a juventude se rebelou contra as injustiças, então sejamos protagonistas no presente para que tenhamos um amanhã melhor do que hoje.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

LULA FALA DO MONOPOLIO DA IMPRENSA



Lula chuta o balde do PIG no evento da UNE e diz: eu tô ficando invocado.

Lula parece que perdeu a paciência com ilações de setores da mídia brasileira. Há pouco tempo respondi ao Noblat, quando o mesmo escreveu em seu blog de que presença de Lula esvaziou abertura do Congresso da UNE.

Noblat, como um bom serviçal da Globo escreve que A presença do ex-presidente Lula na noite de [ontem], em Goiânia, esvaziou a abertura do 52º Congresso Nacional da UNE na Câmara Municipal. De certa forma, o referido jornalista tenta criar confusão na mente do leitor.

Lula, ao chegar à residência do prefeito de Goiânia. Foto: /Givaldo Barbosa, O Globo - blog Noblat

Esse pessoal na ânsia de fazer política partidária esquece de fazer jornalismo e trata todo mundo como imbecis, como se ninguém pelas redes sociais, até em casa vendo os Telejornais tentando desconstruir a imagem de Lula.


Importante ler a reprodução da fala de Lula no o Valor Online :


Em defesa de Dilma, o ex-presidente Lula criticou a campanha eleitoral de 2010, classificando-a como a “mais preconceituosa da história” e disse que sua sucessora foi mais atacada no processo eleitoral do que ele foi em disputas passadas. “Inventaram até um meteorito de papel. Depois, falaram que era um objeto não identificado”, ironizou, referindo-se ao episódio no qual o então candidato do PSDB, José Serra, foi alvejado por uma suposta bolinha de papel, em campanha no Rio. O ex-presidente afirmou que Dilma foi alvo de machismo. “Falam em uma sociedade igualitária desde que a mulher limpe a casa, lave a roupa suja”, comentou.

Paulo Henrique Amorim em seu blog escreve que Lula ataca imprensa em Congresso da UNE

“Primeiro disseram que há diferenças entre eu e Dilma, que somos diferentes. Não precisa ser um especialista para saber que ela é diferente de mim”, ironizou.

“Falaram que divergimos. Eu já disse que, se houver divergência, é ela quem estará certa. Não há divergências. Depois, quando fui a Brasília e tirei uma foto com senadores, disseram que ela era fraca. O babaca que escreveu a matéria nunca deve ter sentado com a Dilma para conversar. Ela pode ter todos os defeitos do mundo, menos ser fraca”, declarou o ex-presidente. “Ninguém que passa três anos na cadeia, sendo barbaramente torturada e é eleita presidente pode ser fraca.”


SÃO PAULO – Há sete meses fora da Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso duro contra a imprensa, há pouco, no 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Goiânia (GO). Para uma plateia lotada de estudantes, Lula atacou os meios de comunicação por criarem divergências entre ele e a presidente Dilma Rousseff.

Ao discursar no II Encontro Nacional do ProUni, durante o evento dos estudantes, o ex-presidente comentou uma reportagem que mostrava o financiamento do congresso da UNE por empresas estatais, como a Petrobras, e classificava o encontro de “chapa branca”.

“Quando ligamos a televisão, tem propaganda de quem? Da Petrobras, da Caixa Econômica Federal. Elas financiam tudo. Para eles [empresas de comunicação] isso é democrático. Para vocês [UNE], é chapa branca”, disse Lula.

O tom do discurso do ex-presidente mudou quando o petista começou a reclamar dos meios de comunicação. “Eu tô ficando invocado. Faz seis meses que eu saí da Presidência, mas eles não saem do meu pé”, afirmou.

Em seguida, enumerou o que considera como intrigas feitas pela imprensa. “Primeiro disseram que há diferenças entre eu e Dilma, que somos diferentes. Não precisa ser um especialista para saber que ela é diferente de mim”, ironizou.

“Falaram que divergimos. Eu já disse que, se houver divergência, é ela quem estará certa. Não há divergências. Depois, quando fui a Brasília e tirei uma foto com senadores, disseram que ela era fraca. O babaca que escreveu a matéria nunca deve ter sentado com a Dilma para conversar. Ela pode ter todos os defeitos do mundo, menos ser fraca”, declarou o ex-presidente. “Ninguém que passa três anos na cadeia, sendo barbaramente torturada e é eleita presidente pode ser fraca.”

Lula disse que a maior vingança de Dilma com seus torturadores, durante o regime militar, foi o fato de ter sido eleita presidente. “Agora, ela é a comandante chefe. Deu a volta por cima”, disse. Entre elogios para sua sucessora, o ex-presidente continuou com os ataques à imprensa. “Inventaram também que ela é diferente nas coisas que faz, que eu falava muito. É que eu competia com o que eles falavam e o povo acreditava em mim”, comentou.

O petista disse ainda que meios de comunicação torceram para que a inflação voltasse. “Chegaram a dizer que eu deixei uma herança maldita. A primeira herança maldita é o pré-sal. Tem o Prouni, o PAC 2. Quem sabe é o Minha Casa, Minha Vida 2? O dado concreto é que eles não perceberam que as coisas mudaram no Brasil”.

O ex-presidente disse ainda que a população está se informando “de múltiplas formas” e não só por “aqueles que achavam que formavam a opinião pública”. Os discursos do evento que Lula participou foram transmitidos ao vivo no site da UNE.

(Cristiane Agostine | Valor