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sexta-feira, 1 de julho de 2011

GREVE: ARTIGO NO JORNAL O TEMPO

A greve da educação


Publicado no Jornal OTEMPO em 30/06/2011
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DANIEL DE SOUZA B. M. BRAGA
Professor da rede estadual de ensino

Mais um ano, mais uma greve dos professores da rede estadual. Seria uma notícia corriqueira entre tantas outras se o cenário não fosse particularmente desolador.

O palavrório do governo para tentar justificar o injustificável se esforça em veicular informações distorcidas com o claro objetivo de criminalizar os professores perante a opinião pública. Entretanto, ao tornar públicos valores que o governo deveria pagar e que de fato paga, a secretária Renata Vilhena, inadvertidamente, expõe as mazelas da educação pública.

Discutir subsídios de R$ 712 ou R$ 1.320 para professores com curso superior é denegrir a própria imagem enquanto gestora. Uma profissão que exige conhecimentos acadêmicos e possui imensa responsabilidade social deveria ter remuneração condizente com tais atribuições.

Quando decide enfatizar a carga horária de 24 horas semanais, difunde ideia maliciosa de que são poucas as horas trabalhadas, assim como omite a realidade da profissão. Nós trabalhamos mais fora das salas de aula que propriamente dentro delas. Preparamos aula, corrigimos provas e exercícios, frequentamos cursos de capacitação para justamente tentar manter a qualidade das aulas, que são de fato a última etapa do processo.

O que na verdade se constata, observando as últimas ações de governo, é que sistematicamente o poder público faz aprovar leis que objetivam o retrocesso na educação, haja vista a Lei nº 18.975/10, que instituiu o subsídio como forma de remuneração. Ao implementar essa "nova" forma de pagamento, o governo deliberadamente empobrece a carreira, fato que afugenta os recém-formados do serviço público. Basta pesquisar e a realidade torna-se irrefutável - estão faltando professores.

Os argumentos acima já seriam suficientes para um movimento grevista, pois a carreira é fundamental para aqueles que pretendem permanecer na docência e obviamente para aqueles que pensaram um dia em exercer a profissão. Mas a lei do subsídio ainda apresenta diversos pontos ardilosos que vão de encontro às perspectivas da categoria.

Ao reposicionar os servidores na "nova" carreira, os mais antigos, com décadas de dedicação às salas de aula, foram rebaixados, ou seja, de súbito estão de volta ao início do trajeto profissional, num claro desrespeito ao tempo de serviço prestado.

A greve dos professores estaduais diz respeito ao não-cumprimento da Lei nº 11.738/08, que estabelece o piso nacional para o magistério. Essa lei proíbe a incorporação de benefícios conquistados ao longo da vida profissional ao salário-base, ato promovido pelo governo ao pôr em prática o subsídio.

Não obstante o quadro desolador, acreditamos que o diálogo é condição sine qua non para se sair do impasse e retomarmos as atividades nas escolas. Entretanto, é fundamental ter mais transparência na divulgação de informações sobre a realidade da educação mineira, pois corre-se o risco de confundir a opinião pública em vez de esclarecê-la.

sábado, 14 de maio de 2011

SOBRE O PISO SALARIAL PARA QUEM NÃO LEU NADA AINDA QUE ATRASADO, VAI O ASSUNTO

STF decide que piso do professor se refere a salário base
Supremo julgou improcedente pedido de Estados para considerar gratificações e R$ 1.187 passa a ser o mínimo

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 06/04/2011


Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram hoje a favor do piso nacional para professores como valor mínimo a ser recebido por educadores por 40 horas semanais. A lei 11.738 proposta pelo Ministério da Educação e aprovada no Congresso Nacional era questionada desde sua publicação em 2008 por ação conjunta dos governos do Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com o julgamento, o valor que na época era de R$ 950 e hoje está atualizado em R$1.187 está vigente.


A ação dos Estados pedia que fosse considerada a remuneração total dos professores, incluídas gratificações e bônus e alegava que poderia faltar dinheiro para o pagamento dos educadores. Os ministros consideraram que um piso mínimo para valorização do professor foi previsto na constituição e cabe à união agora complementar o orçamento dos governos que comprovadamente não possuírem recursos para pagá-lo. O Ministério da Educação já adota essa prática.

Hora de atividade pedagógica

Outro argumento da ação, o de que a lei feria o princípio de autonomia das unidades da federação ao estabelecer que das 40 horas semanais e que, destas, um terço deveria ser reservado a atividades extraclasse - como planejamento pedagógico, formação profissional e pesquisas para aulas - foi considerado procedente.

A votação final seguiu o parecer do relator do caso, o ministro Joaquim Barbosa, que foi favorável à instituição do piso, mas manteve o pedido de inconstitucionalidade em relação ao estabelecimento de tempo fora da sala de aula. “A união não pode esgotar todas as particularidades locais”, disse.

O ministro Luiz Fux, mais recente empossado no STF por indicação da presidenta Dilma Rousseff, votou pela aprovação da lei na íntegra, mantendo a imposição da carga horária reservada ao planejamento e formação de professores. “Não enxergo nenhuma ruptura do pacto federativo, não acho possível falar em piso nacional sem falar em carga horária”, afirmou durante o debate.

Gilmar Mendes e Marco Aurélio argumentaram que alguns Estados são dependentes de repasses da União e que a lei era “sucinta e superficial” em relação a complementação da união. "Não cabe ao governo federal legislar sobre funcionalismo estadual e municipal, depois eles não consiguirão pagar e cairão na lei de responsabilidade fiscal e, então, não poderão receber recurso da união. É preocupante", colocou Mendes. "A lei é justa, mas não é constitucional", complementou Aurélio.

Barbosa ponderou que em relação a verbas, os representantes dos Estados no Congresso tinham "plena consciência" quando votaram pelo piso.

Por último, o presidente do STF Ayres Brito destacou os dois pontos da constituição que falam em valorização do professor e que prevêem piso federal para professor. “Portanto, não há como dizer que não seja constitucional. A cláusula da reserva financeira não pode operar sobre a educação, tão importante para a legislação que é citada 96 vezes na constituição."

quinta-feira, 5 de maio de 2011

PARALISAÇÃO DE ONTEM

LEIA O TEXTO RETIRADO DO BLOG DO COMPANHEIRO EULER CONRADO

QUARTA-FEIRA, 4 DE MAIO DE 2011
Governo prorroga opção pela antiga carreira. Pressão de educadores garante audiência no plenário principal. Se o piso não sair, a greve sai!
Uma parte da combativa turma de Vespasiano nas galerias da ALMG: Paulão, fazendo o V de Vitória, o editor do Blog e Alex. A foto foi tirada pelo professor Anderson, que já se encontrava no Plenário principal ocupado pelos educadores.


Governo prorroga opção pela antiga carreira. Pressão de educadores garante audiência no plenário principal. Se o piso não sair, a greve sai!

Acabo de chegar no meu bunker e começo a acessar a Internet, enquanto troco de roupa. Um bom número de comentários me esperam, que leio rapidamente e já aprovo para a publicação no blog. Estou me preparando espiritualmente agora, 21h10m, para escrever o texto-relatório do dia de luta que tivemos na ALMG.

Como todos sabemos, educadores não são muito respeitados por governos ou parlamentares. Por isso, a nossa audiência, ao invés de ser marcada para o Plenário principal daquela Casa, teve início num plenariozinho qualquer da ALMG, todo cercado de vidro, com pouquíssimos lugares para os ouvintes, que se espremiam ali, meio sufocados.

Uma parte da combativa turma de Vespá e São José já havia tomado um cafezinho como de hábito e, logo em seguida, numa rápida decisão coletiva, eu e mais quatro colegas decidimos que não ficaríamos ali espremidos feito sardinhas enlatadas. Fomos para as galerias do plenário principal, onde centenas de educadores lá se encontravam.

Das galerias travamos uma verdadeira batalha contra alguns deputados da base do governo, que insistiam em manter uma sessão ridícula, sem qualquer assunto mais sério para tratar, sem nada em pauta para votar, mas com o único objetivo de impedir que a nossa audiência fosse realizada naquele local - e ali fosse transmitida pela TV Assembléia.

Então começamos uma verdadeira agitação nas galerias, dos três lados, nos dois pavimentos, com centenas de educadores gritando, vaiando, pulando, xingando, gritando palavras de ordem. Confesso a vocês que fiquei completamente mudo. Era muita cara de pau daquela meia dúzia de deputados puxa-sacos do governo, capachos, pau-mandados, gente escrota e sem caráter, a tentar nos enrolar e impedir que a audiência da Educação fosse realizada sobre os olhares dos educadores.

Após quase duas horas desse desgastante combate contra esses imbecis que vivem presos nas barras da coisa pública à espera de algum cargo de diretoria dos TCEs da vida, pelos vis serviços prestados aos seus chefes - governantes e proprietários de grandes empreiteiras -, conseguimos, finalmente, vencer a batalha, fazendo com que a audiência fosse transferida para o Plenário principal.

Assim, não só as galerias, mas inclusive a parte reservada para os deputados, foi toda ocupada pelos educadores. Não vou dizer que ali se transformou, pelo menos por alguns instantes, numa verdadeira casa do povo, por que estaria exagerando. Faltou pouco, diria. Mas, como não havia presença dos de baixo na mesa diretora, podemos dizer que a Casa estava quase toda ocupada por educadores.

O primeiro informe que nos deram foi o de que o governador de Minas, atendendo ao pedido da comissão de Educação da ALMG, decidiu prorrogar o prazo de opção pelo antigo regime remuneratório até o dia 10 de junho de 2011 - mais um mês, portanto.

Na realidade, tal prorrogação se deve a dois fatos: 1) o governo percebeu que a maioria da categoria estava de fato voltando para a carreira antiga - e essa possibilidade eu já havia previsto aqui no blog; 2) o governo quer ganhar tempo para negociar o piso ou uma outra saída com a categoria.

Se nada fizesse até o dia 06 de maio - data limite anterior, para opção de sistema remuneratório - no dia seguinte estaria com uma batata quente na mão: teria que resolver rapidamente sobre a questão do piso e o que fazer até a implantação do mesmo. Se reduzisse os salários sem implantar o piso, estaria automaticamente convocando os servidores para a greve. E o governo precisa de tempo para decidir o que fazer, além da obrigação constitucional de pagar o piso do magistério.

Neste particular, devo confessar que a audiência não avançou muito. Para mim serviu para recolher algumas percepções, que vou dizer somente no final deste texto (é a minha cota de expectativa para prender meus leitores, rsrs). Mas, assim, rapidamente, a audiência serviu para demonstrar que o governo quer ganhar tempo. Tanto a secretária da Seplag, quanto a da Educação, não compareceram à audiência, e mandaram representantes.

De certa forma eu já esperava isso. Seria um desgaste desnecessário para elas comparecerem a uma audiência com a presença de centenas de educadores para dizer que nada têm a dizer, ou a oferecer. O que a representante das secretárias do governo disse, de específico, é que o governo mineiro aguarda a publicação do acórdão da decisão do STF sobre o piso, para conhecer os termos do mesmo, e assim tomar as decisões necessárias.

Teoricamente, poderemos admitir que o governo tem uma pequena dose de razão, uma vez que o acórdão poderá definir uma coisa e o governo poderia tomar uma decisão antecipada que estive em contradição com os termos do acórdão. Exemplo: o acórdão pode determinar que os governos não apenas paguem imediatamente o piso, como paguem também o retroativo a janeiro de 2010. Ou pode dizer que os governos devem pagar o piso enquanto vencimento básico somente a partir da decisão do STF, ocorrida no dia 06 de abril de 2011.

Claro que o governo não precisaria esperar pelo acórdão para aplicar imediatamente o piso. Mas, assim o fez, ganhando tempo. Que neste momento corre contra o governo, como já dissemos aqui antes.

(agora, colegas de luta, aguardem um pouquinho porque vou preparar um chá, e após degustá-lo calmamente voltarei com o relato, que tem muito mais ... aguardem).


Retomando. O chá vai ter que esperar, pois tive que fazer uma atualização de programa no meu computador e isso me atrasou. Um copo de água mineral e uma banana caturra - cujo preço encontra-se em liquidação, adequado, portanto, para o salário-de-um professor-de Minas - dão para sustentar até da meia-noite.

Quero recuperar o momento da nossa chegada até a ALMG. Muitos panfletos e jornais distribuídos e um boletim do sindicato exibindo uma tabela que, aqui eu digo: que pena que seja só uma tabela do sindicato.

Quando estávamos numa Van a caminho da ALMG, os colegas me pediam para calcular o novo salário com base no piso do MEC e das realidades de cada um. Distribui salário para todos: você vai passar a ganhar R$ 5.200; já você, beltrana, R$ 3.600,00; e quanto a você, fulano, nada mais do que R$ 1.800,00... Todos felizes com o novo salário.

Mas, quando pegamos as tabelas do sindicato, com base no piso da CNTE (por que não colocam logo o piso do DIEESE?) aplicado de forma direta na jornada de 24h, o resultado é maravilhoso. Eu, que não tenho nenhum quinquênio e biênio - que foram confiscados pelo faraó, lembram? - passaria a ganhar R$ 2.523,11. Uma colega que veio comigo na Van e que estava rindo até as orelhas quando eu disse que ela receberia R$ 5.300,00 pelos dois cargos que possui apenas com o piso do MEC e as gratificações, quando souber que com a tabela do sindicato o salário dela vai para uns R$ 12.000,00 ela vai começar a andar com segurança.

Não que não merecemos isso e até muito mais, mas seria bom o sindicato apresentar essa tabela pelo menos enquanto proposta do sindicato, e não afirmar, como fez, inclusive durante a audiência dos educadores e na propaganda de rádio, que o piso do magistério é R$ 1.597,00 para a jornada de 24 horas para o professor com ensino médio. Isso pode acabar mal, confundindo as pessoas, criando ilusão sobre aquilo que não corresponde à realidade. Proposta é proposta, direito líquido e certo é outra coisa.

Vou chegar com o boletim na escola e os professores vão me perguntar: é essa tabela que o governo tem que nos pagar? Como eu não gosto de mentir para as pessoas vou ter que dizer: não, esta tabela aí é a proposta do sindicato (que poderia ter qualquer outro valor); já a tabela com o piso reconhecido pelo MEC é aquela que foi publicada aqui no Blog (e que o Filocre, agora que não está mais na assessoria direta da SEE-MG, também publicou no blog dele, de forma até mais detalhada, por níveis e graus).

Mas, vamos em frente com o nosso relato. A audiência pública é sempre um momento para a discussão de problemas, mas também para os discursos políticos. Alguns, sinceros; outros, nem tanto. E outros, apenas informativo. O primeiro a falar foi o deputado Rogério Correia, que por sinal foi sincero nesta questão do piso: reconheceu que o piso do MEC era de R$ 1.187,00 para até 40 horas para o professor com ensino médio, mas que os professores reivindicavam e mereciam o piso de R$ 1.597,00.

Depois, falou a coordenadora-geral do sindicato, Beatriz Cerqueira, que, ao contrário do Rogério, tem insistido que o piso é R$ 1.597,00 para a jornada de 24 horas. Não como proposta, mas como lei, segundo ela.

Contudo, na fala seguinte, da representante do governo, cujo nome não me lembro (tinha o sobrenome "Neves", embora não deva ser parente do faraó), mas era uma servidora de carreira, que não estava ali para fazer demagogia, mas cumprindo um papel a ela atribuído pelo governo. Ela leu textualmente o que está inscrito na lei do piso, segundo a qual, os estados e municípios poderão pagar o piso no mínimo proporcionalmente à jornada praticada em cada estado (ou município). E ela ainda acrescentou: não quer dizer que o governo de Minas vai pagar dessa forma, mas a lei faculta tal possibilidade. E de fato, ela tem razão. Podemos discordar, podemos achar que não é justo, que merecemos mais, etc., mas o que diz a lei do piso é exatamente isso que o nosso blog tem divulgado: o governo pode pagar sim, proporcionalmente à jornada de 24, que é bem diferente de dizer que tem que pagar o valor cheio para a jornada de 24 horas. As entidades sindicais deveriam ter brigado antes, para que a lei fosse diferente.

E em matéria de piso, nem precisa fazer um joguinho do tipo: eu peço mais para o governo ceder pelo menos um pouco. Nada disso. A lei obriga o governo a pagar o piso nacional, com as características que já descrevi anteriormente, e fim de papo. Agora é cobrar a aplicação imediata do piso existente. Se ficarmos exigindo algo que não está na lei, ou que está apenas opcionalmente, o governo vai ganhar mais tempo, vai empurrar o problema para o Judiciário, e nós seremos derrotados.

Querem brigar pelo piso de R$ 1.597,00? Marquem uma audiência em Brasília, com Dilma e Haddad, não aqui em Minas. E por falar nisso, o presidente da CNTE, aquela entidade ausente da nossa greve de 47 dias, lá esteve. Na sua fala, reforçou o valor do piso de R$ 1.597,00 e cobrou dos prefeitos e governadores que paguem o piso imediatamente. Deveria ter cobrado do governo federal também, que assuma um papel mais ativo, não apenas disponibilizando recursos para complementar o piso, mas cobrando dos municípios que paguem já o piso. Por que a CNTE não cobra essa postura ativa do MEC? Ah, bom, como eu ando esquecido ultimamente... Lembrei-me agora que uma autarquia do MEC não poderia cobrar nada daquele ministério.

Uma outra coisa que a coordenadora do Sind-UTE tem afirmado, e que saiu inclusive no Inforamtivo 32 distribuído na ALMG, é que o piso não é só para o magistério, mas para todos os servidores da Educação. Eu quero saber qual lei federal ou estadual que garante esta afirmação da dirigente sindical.

Uma coisa é dizer que o sindicato e a categoria defendem que o piso seja estendido para todos os educadores. Isso é uma coisa. Outra coisa, bem diferente, é afirmar: "Todos os demais cargos de carreira da Educação terão seus vencimentos básicos calculados a partir deste valor [R$1.597,00 para a jornada de 24 horas para o profissional de ensino médio], respeitando a proporcionalidade definida no plano de carreira". (Informativo nº 32 do Sind-UTE). E já divulgaram até uma tabela para todas as outras carreiras com base nesse critério.

Gostaria muito que a direção sindical apresentasse as leis, ou decretos ou normas que impõem tal ligação proporcional entre os vencimentos básicos das diversas carreiras da Educação. Se houver, não apenas vou bater palmas, como, ao mesmo tempo, vou aumentar a dose de crítica pela omissão do sindicato, por não ter esclarecido isso antes, para que a categoria em peso voltasse para o antigo regime remuneratório.

Agora, se se tratar não de um direito legal, mas da vontade do sindicato, trata-se, isso sim, de mais uma grande irresponsabilidade, por estar afirmando algo que não corresponde com a realidade.

Enquanto eu não tiver elementos comprobatórios nas mãos, como tenho em relação à lei do piso, eu não vou dizer para os colegas educadores que não fazem parte do magistério, que o vencimento básico deles vai acompanhar o piso do magistério. Espero que eu esteja errado e voltarei aqui para reconhecer tal erro. Mas, se não estiver, espero que a direção do sindicato tenha a dignidade de reconhecer que está trocando a vontade pela realidade.

[E agora uma nova pausa, desta vez sim, para preparar o meu chá, rsrs.... Volto já]

Retomando. Após o chá com limão e alguns biscoitos, e um tablete de chocolate...

Senti que faltou, por parte dos deputados da Comissão da Educação e do sindicato, a cobrança ao governo de um compromisso imediato: o de não reduzir os salários dos servidores da Educação que retornarem para o antigo regime remuneratório, até a implantação do piso.

Isso resolveria uma parte dos problemas que têm sido levantados pela categoria: o de não perder dinheiro enquanto aguarda o pagamento do piso. Claro que considero a redução de salário ilegal, mas sobre isso ninguém disse nada. Este é um dos problemas dessas atividades onde os de baixo só podem se manifestar através de gritos, aplausos e apitos. Os de cima, e mesmo as direções sindicais, vivem num mundo que nem sempre é aquele de quem está com os pés no chão da fábrica.

A garantia da não redução salarial era até mais importante do que a prorrogação da opção, pois ela resultaria numa adesão em massa ainda maior para o antigo regime remuneratório. E não custaria um centavo a mais para o governo. E teoricamente, não representaria qualquer perda para o governo, pois o que ele tiver que pagar de piso terá que pagar, agora, ou daqui a um mês. E caso as pessoas se arrependessem depois, poderiam voltar para o subsídio, sem sofrer perdas de salário.

São questões assim, básicas para a vida das pessoas, que o sindicato precisa focar na defesa dos nossos interesses, ao invés de focar a luta em cima de propostas mirabolantes, ainda que justas.

E agora já passo para a fase final deste relato, de mais de um dia de luta de centenas de educadores, que se deslocaram de todas as partes de Minas em busca de respostas para as demandas da categoria. Muita gente me cumprimentou pelo blog. Gente da base, claro, com os quais convivo aqui diariamente, sem ver os rostos, mas sabendo que são colegas de luta, e que nos honram com sua visita e com seus comentários. Colegas de Leopoldina, de Corinto, de Ouro Preto, de Mariana, a combativa turma do COREU, sempre presente com a liderança do nosso amigo Wladmir; os colegas de Venda Nova, do grande Igor, sempre presentes, também; um coleguinha lá de Valadares, que fez questão de dizer que ele e muita gente mais lê o blog diariamente; e muitas outras pessoas de muitas cidades de Minas, que nem daria para citar a todos. Turma bonita. Turma de luta. Turma de guerreiros. Só não encontrei o combativo amigo Rômulo, sempre presente e que provavelmente estará ocupado com outros afazeres. Mas, em seu lugar, lá estava o combativo João Martinho, ainda tratando do joelho, que saiu diretamente de uma sessão de fisioterapia para a audiência na ALMG.

E aqui, finalmente, eu menciono a referida percepção do momento, que tive hoje a tarde, nas galerias da ALMG. A nossa turma de educadores não vai aceitar enrolação. Nem do sindicato e nem do governo. Se o governo não pagar o piso, mesmo que seja o piso do MEC com um reajuste salarial para todas as carreiras da Educação, pode contar certo que haverá greve geral por tempo indeterminado.

No dia 31 de maio está marcada a próxima assembléia geral da categoria. Antes disso, no dia 21, se não me engano, haverá reunião do conselho com os delegados das subsedes. Podem apostar numa coisa: se não houver uma proposta aceitável do governo até o dia 31, nós vamos sair da assembléia em passeata, com a decisão de uma greve geral. O governo ganhou um tempo para respirar e decidir. Mas, o tempo da nossa espera, pode ter dia marcado: 31 de maio.

E finalmente, quanto à paralisação do dia 11 para a ida a Brasília, que eu pessoalmente ainda não decidi se vou, seria muito bom que este movimento tivesse dois objetivos principais: pressionar o STF para publicar o acórdão sobre o piso, e pressionar o MEC para reajustar e cobrar dos estados e municípios o pagamento do piso nacional do magistério.

Na fala do presidente da CNTE na audiência da ALMG, o que foi que ele disse? Que no ato em Brasília os educadores poderiam aproveitar a oportunidade para cobrar dos prefeitos que lá estarão para pagarem o piso. Essa cobrança já deve estar acontecendo em cada cidade, pelos educadores da diversas redes de ensino. Mas, o que precisamos mesmo é cobrar do governo federal que ele entre pra valer nessa luta, inclusive condicionando o repasse de verbas da Educação ao pagamento do piso e resolvendo, de uma vez por todas, esse conflito entre a Lei de Irresponsabilidade Fiscal e a Lei do Piso.

Era esse o meu relato de hoje, colegas, certo de que temos muita luta pela frente. Vamos nos organizar e preparar para cobrar do governo mineiro: a) não redução de salários de quem voltar para o antigo regime remuneratório; b) pagamento do piso pelo menos de acordo com o mínimo exigido por lei (vencimento básico e o terço de tempo extraclasse) ; c) reajuste salarial em todas as tabelas da Educação; além de outras justas demandas da categoria.

Um abraço a todos, e força na luta!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

MAIS UM MES PARA A DECISÃO

Governador determina ampliação do prazo para a escolha do sistema de remuneração dos servidores da SEE
Qua, 04 de Maio de 2011 16:44



Resolução conjunta entre as secretarias de Educação e de Planejamento e Gestão irá ampliar o prazo por mais 30 dias

O Governador do Estado de Minas Gerais, Antonio Anastasia, determinou a ampliação do prazo para que os servidores da educação possam optar entre os dois modelos de remuneração adotados pelo Estado. O anúncio acaba de ser feito durante audiência pública sobre o piso da educação, que está sendo realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

De acordo com a subsecretária de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Fernanda Neves, que representa a Secretaria de Planejamento na audiência, será editada uma resolução conjunta pelas secretarias de Educação e de Planejamento e Gestão prorrogando o prazo por mais 30 dias. O prazo inicial terminava no próximo dia 9 de maio. Com a publicação da resolução, a nova data limite passa ser o dia 8 de junho de 2011. Também participa da audiência pública o subsecretário de Administração do Sistema Educacional, Leonardo Petrus.

Sistema por subsídio

Em janeiro, também por meio de uma resolução conjunta entre as secretarias de Estado de Educação (SEE) e de Planejamento e Gestão (Seplag), o Governo de Minas posicionou os servidores da Educação de acordo com as tabelas instituídas pela Lei nº 18.975 de 30 de junho de 2010, que fixou o sistema de subsídio. A resolução, publicada no Jornal Minas Gerais no dia 13 de janeiro deste ano, buscou a modernização do sistema de remuneração por meio da adoção do subsídio.

O pagamento por subsídio é resultado de estudo realizado para unificar a remuneração dos servidores, eliminar distorções e atender demanda da própria categoria. Constituído por valor único, o subsídio incorpora todas as gratificações, vantagens, adicionais, abonos, ou outra espécie remuneratória do servidor.

Além de valorizar os servidores que já se encontram em exercício e estimular novos profissionais a abraçar carreiras na Educação, o sistema remuneratório também simplificou os processos administrativos para a geração da folha de pagamentos. Mas o mais importante é que o pagamento por subsídio em parcela única reduziu as distorções salariais entre os servidores posicionados em diferentes situações da carreira da Educação Básica.

Sistema opcional

Mesmo reconhecendo que este novo modelo de remuneração por subsídio oferece ganhos reais para a categoria, o Governo de Minas manteve aberta a possibilidade de retorno ao sistema antigo. O prazo terminava no dia 9 de maio, mas o Governo de Minas optou por ampliar o prazo para a opção, que é uma prerrogativa individual de cada servidor, por mais 30 dias.

terça-feira, 26 de abril de 2011

VOLTANDO AO VENCIMENTO

POR QUE DEVEMOS VOLTAR PARA A ANTIGA CARREIRA?
Postado por Fred William em 26 abril 2011 às 16:50
Exibir blog de Fred William
1. Na atual forma de remuneração pelo subsídio, o salário fica praticamente congelado. Mesmo que haja reajuste no piso nacional, como vem ocorrendo anualmente, este reajuste não alcança os valores nominais do subsídio;

2. Os percentuais de promoção e progressão são menores do que na antiga carreira: 2,5% contra 3% na carreira antiga para progressões a cada dois anos, e 10% contra 22% para mudança de nível a cada cinco anos;

3. Todas as gratificações e vantagens, como: pó-de-giz (20% sobre o básico), quinquênio (10% sobre o básico a cada cinco anos), biênio (5% sobre o básico a cada dois anos), gratificação pela pós-graduação (10% para especialização, 30% para o mestrado e 50% para doutorado), entre outros, foram incorporados ao subsídio;

4. O tempo de serviço de todos os servidores foi confiscado, fazendo com que quase todos os servidores retornem à estaca zero, na letra A;

5. Mesmo que haja um grande reajuste no piso nacional, como o subsídio incorporou as gratificações e rebaixou os percentuais de promoção entre os níveis, a tabela do subsídio terá pouca alteração. A única expectativa de reajuste ficará na dependência das políticas do governo do estado de Minas, que, como vimos e sentimos nos últimos anos, é feita de cortes e de pequenas migalhas de reajuste a cada quatro anos;

6. Há uma nova realidade na carreira antiga após a decisão do STF sobre a lei do piso: o vencimento básico terá que ser reajustado no mínimo de acordo com o valor do piso nacional divulgado pelo MEC de R$ 1.187,00 para 40 horas para o professor com ensino médio. Para a realidade de Minas, isso representa: para o PEB1A - R$ 712,20 (de vencimento básico, contra os atuais R$ 369,00); PEB2A - R$ 868,88; PEB3A - R$ 1.060,00; PEB4A - 1.293,24; PEB5A - 1.577,75;

7. Sobre os valores do vencimento básico acima (piso), devem incidir as gratificações e vantagens, como pó-de-giz, quinquênios, biênios, gratificação por pós-graduação, etc. Quem não possui tais vantagens, poderá conquistá-las na luta comum que a categoria vem travando;

8. Para um professor com mais tempo na carreira, é grande a vantagem deste sistema remuneratório, podendo mais que dobrar o valor do salário atual. Um professor PEB3 (curso superior) com 20 anos de casa, por exemplo, com quatro quinquênios, 10 biênios, pó-de-giz, pós-graduação e pelo menos duas progressões - letra C, teria um salto no salário para R$ 2.474,00 apenas para um cargo de 24 horas;

9. Para os novatos a mudança para o antigo regime também compensa. Além do vencimento básico queterá um forte reajuste, acrescentam-se as gratificações e progressões na carreira. Um professor PEB3 que tenha sido nomeado no início de 2006, por exemplo, poderá receber em torno de R$ 1.380,00 (vencimento básico de R$1.060, mais duas progressões de 3% + 20% de pó-de-giz + auxílio transporte de R$ 32,00). Com isso, já alcança pelo menos o valor do subsídio;
10. Os índices de promoção e progressão da antiga carreira são maiores. Um professor que faça jus à promoção terá direito a 22% de reajuste sobre o vencimento básico - e sobre este valor incidirão as vantagens e gratificações. Na carreira do subsídio, a promoção reajusta apenas em 10% os valores iniciais da tabela;

11. Os reajustes anuais no piso nacional do magistério, de acordo com o custo aluno-ano, terão que ser aplicados por todos os estados e municípios. Se houver um reajuste em 2012 de 20%, por exemplo, o vencimento básico do PEB3 na antiga carreira passaria para R$ 1.272,00. Se somarmos o pó-de-giz, o salário de um professor iniciante com curso superior iria para R$ 1.526,40. Já no sistema do subsídio, este mesmo iniciante teria ZERO de reajuste;

12. Agora vamos a um argumento final e fatal. Imagine se amanhã o piso nacional do magistério suba para R$ 2.000,00 para a jornada de 40 horas e para o professor de ensino médio. O que aconteceria com os dois sistemas em Minas Gerais com a jornada de 24 horas? Vejamos: a) na lei do subsídio, a tabela para o professor com curso superior (PEBIA) passaria de R$ 1.320,00 para R$ 1.452,00. E nada mais. b) para o antigo plano de carreira, o professor PEB3A teria o seu vencimento básico alterado de R$ 1.060,00 para R$ 1.786,08. Somando-se o pó-de-giz ele passaria para R$ 2.143,29. Portanto, no mínimo cerca de R$ 690,00 a mais para o professor novato que optar pelo plano antigo. Deve ser por essas e outras razões que o governo está fazendo tanto esforço para que as pessoas permaneçam no sistema do subsídio.

Fonte: Blog do Euler

terça-feira, 29 de março de 2011

STJ ADIA O DIA D

O STJ ADIA O JULGAMENTO DA ADIN SOBRE PISO SALARIAL PROFISSIONAL NACIONAL POR CAUSA DO LUTO OFICIAL DEVIDO AO FALECIMENTO DO EX-VICEPRESIDENTE JOSÉ ALENCAR. VEJA COMENTARIOS NO BLOG DO EULER

http://blogdoeulerconrado.blogspot.com/2011/03/stf-adia-votacao-do-piso-e-agora-jose.html

AMANHÃ, DIA D PARA A E

Amanhã será um dia decisivo para a educação. será julgado a inconstitucionalidade do PISO SALARIAL. Somos, na educação a única categoria a ter um piso. veja o post do nosso companheiro de longa batalha, EULER CONRADO.

Para o bem ou para o mal, dia 30 pode encerrar o primeiro capítulo da longa novela do piso do magistério

Foram anos de expectativa em torno de um tema que se tornou promessa de campanha e propaganda enganosa supostamente em favor dos professores. Desde a aprovação do piso do magistério em 2008 nada praticamente mudou na vida dos professores. Os pilares do piso - o fato do piso ser vencimento básico e não teto e o terço de tempo extraclasse - foram quebrados pelo STF em decisão liminar, atendendo aos desgovernadores e prefeitos e ao governo federal.

Agora, no dia 30, o STF terá a chance de corrigir a sacanagem que praticou contra os professores do Brasil, que tinham grande expectativa de mudança da dramática situação salarial vivida em todo o país. Uma decisão importante, que não terá a presença de centenas de milhares de educadores na porta do STF, como seria o desejável, graças à igualmente sacana direção das entidades sindicais e da sua confederação, absolutamente atrelados às políticas oficiais do governo federal. Agem ao sabor da agenda do governo federal, sem qualquer autonomia.

Mas, dia 30 essa estória - mais do que uma história - começa a mudar de fato. Se o STF votar em favor dos professores - pelo terço de tempo extraclasse e pelo piso enquanto piso - não haverá mais desculpa para nenhum governante não pagar o piso. A nossa luta então terá que ser em duas frentes: 1) pela exigência do cumprimento imediato da lei do piso - que inclui o valor básico ainda que ridículo de R$ 1.187 para 40 horas para o professor com ensino médio, o terço de tempo extraclasse e a aprovação de plano de carreira em todas as redes; e 2) pelo imediato reajuste do valor do piso para algo próximo de R$ 2.000,00.

Essas medidas mexem com os interesses das tres esferas - governo federal, governos estaduais e governos municipais - e não podem ser tratadas isoladamente. O melhor mesmo seria a federalização já debatida aqui nesse blog. Mas, sabemos o quanto isso contraria interesses de governantes das três esferas e das próprias entidades sindicais, que não querem perder a sua base política e regional. Portanto, se não conseguimos de imediato a federalização, que pelo menos tenhamos a capacidade de articular as lutas regionais a interesses e objetivos comuns, nacionalmente.

A CNTE tem tido um papel praticamente inócuo, pois sua ação está pautada na agenda do Governo Federal. Virou uma escada para a ascensão individual de certos membros da cúpula sindical, o que aliás, tem ocorrido com a CUT e a UNE: são entidades-trampolins para que alguns chefes galguem cargos nas esferas mais altas do aparato estatal. Seja como deputados, como assessores de ministérios ou secretarias, ou conselheiros de alguma estatal. Nem é preciso aqui nomear os exemplos de lideranças sindicais que se afastaram das bases para se tornarem burocratas a defenderem os interesses de estado (leia-se: da burguesia) contra os interesses de classe dos trabalhadores aos quais diziam defender no passado.

Agora, se o STF votar pelo piso enquanto teto e contra o terço de tempo extraclasse, então meus amigos, este piso vai continuar do jeito que está: uma inutilidade prática para enganar bobos. Tal decisão deverá também nos fazer refletir sobre o papel dessas entidades sindicais que permitiram que fóssemos arrastados na onda e na agenda do governo federal, como se estivéssemos avançando nas conquistas. Posso falar por mim: em quase 9 anos de magistério, as únicas e tímidas conquistas salariais que eu percebi foram fruto das nossas lutas aqui em Minas. Assim mesmo acompanhadas de grandes derrotas e perdas, como o corte dos quinquênios e biênios de que fomos vítimas.

Ou seja, a lei do piso e a estratégia sindical vigente de não organizar grandes mobilizações nacionais não resultaram em nada até agora, para nós. Nem para os colegas professores considerados novatos, nem tampouco para os antigos profissionais, que amargam situação de perdas e salários baixos. Nenhuma outra carreira do chamado mercado - ou do estado -, com o mesmo grau de formação dos professores, recebe salários tão ridículos quanto os nossos - sem falar nas condições de trabalho, que não são nada boas.

Mas isso tem também um outro culpado, que somos nós mesmos, que não aprendemos a nos organizar e a nos mobilizar e ficamos a esperar que as coisas caiam do céu. Claro que muitos de nós lutaram corajosamente, e continuam prontos para os mais aguerridos combates. Mas, uma parcela muito expressiva da categoria acostumou-se ao chicote das direções escolares, ou da mesquinharia noveleira dos grupinhos fechados em escolas, ou de um status que não existe, mas que insistem em querer fazer parecer aquilo que não é.

Somos uma carreira de profissionais desvalorizada, para baixo, sem estímulo, sem valorização. E o que é pior: uma carreira que o tempo inteiro os governos, os políticos e a mídia e parcela das comunidades insistem em dizer que é a mais importante do mundo. O tempo inteiro os políticos e os especialistas dos problemas sociais elegem a Educação como tábua de salvação para todos os problemas da humanidade. E nós nem queremos esse papel. Queremos apenas que haja a real valorização dos educadores e que sejam criadas as condições adequadas de trabalho, além de reais políticas de formação continuada. No lugar disso, o que vemos é muita propaganda, muita ladainha, muita promessa oca para o futuro. Não somos ouvidos, não somos consultados, não somos atendidos nos nossos interesses.

Por isso, camaradas de luta, após o dia 30 começará realmente a retomada da nossa luta, em Minas e no Brasil, com o piso enquanto piso, ou com outras referências. Espero que vocês possam refletir sobre essas realidades e que possamos intervir mais diretamente, como sujeitos e não como marionetes. Temos problemas diversificados aqui em Minas, criados pelos sucessivos governos. Mas, temos objetivos comuns, nacionais, que não serão resolvidos aqui, apenas. A combinação da luta regional e nacional é uma necessidade. E nós não temos organização nacional para este fim. As entidades sindicais que aí estão tornaram-se aparelhos de (ou das políticas do) estado, e não organização autônoma de combate, como deveriam ser. Estejamos prontos para novas lutas! Ou vocês já se cansaram?

domingo, 11 de julho de 2010

ESTADO DE MINAS. HELIO X PIRRACENTO

Salário de professores vira primeiro round na disputa em Minas

Ivan Satuf - Estado de Minas

Publicação: 11/07/2010 21:12 Atualização: 11/07/2010 21:28

A remuneração dos servidores da educação de Minas Gerais se tornou tema do primeiro grande confronto público entre os dois principais candidatos ao governo do estado. Neste domingo, o contracheque dos professores voltou a ser o foco central da discórdia.

Tudo começou na manhã de sábado, quando o candidato da coligação “Todos Juntos Por Minas”, Hélio Costa (PMDB), fez duras críticas à política salarial da atual administração. No mesmo dia, a coligação "Somos Minas Gerais", liderada por Antonio Anastasia (PSDB), reagiu dizendo que é incorreta a afirmativa de que, em Minas, há professores que recebem menos de um salário mínimo por mês.

A tréplica peemedebista veio no final da tarde deste domingo, em nota divulgada à imprensa, quando os partidários de Hélio Costa classificaram de “perversa” a política salarial praticada no estado.

Apenas três horas depois, foi a vez de uma nova reação dos tucanos. Mais uma vez por meio de nota, a coligação “Somos Minas Gerais” disse que o governo avançou em pontos como o “fim da escala de pagamentos, a implantação dos Planos de Carreira e o pagamento de 100% das verbas retidas”.

Leia a íntegra das notas divulgadas neste domingo pelas coligações “Todos Juntos Por Minas” e "Somos Minas Gerais".

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O MOVIMENTO CONTINUA

Não sei como você votou na Assembleia de ontem, ou como você votaria se lá estivesse presente. Eu votei pela suspensão da greve. Entendo, como já disse nesse espaço virtual, que a greve é um jogo de estratégias. Entendo que nós precisávamos muito da opinião pública a nosso favor, e suspender no momento em que o governador propõe um princípio de negociação, é mostrar para a opinião pública que nós não somos truculentos, que o que queremos não é ir toda semana a Belo Horizonte, fazer passeata. Mas queremos exercer dignamente a nossa profissão, queremos ir para a sala de aula, e então se a negociação emperrar, quem terá a culpa é o governo.

Entendo a lógica daqueles que votaram na proposta da continuação. Votaram por que entenderam que o acordo de apenas negociar não segura o piso salarial, motivo maior da nossa greve. No entanto, lembrando o meu artigo GREVE É UM JOGO DE ESTRATéGIAS, o principal é a última coisa a ser negociada.

Aquilo que conquistamos na greve até aqui, como unidade na categoria, força, demonstração de que com unidade podemos enfrentar uma justiça de jurisprudência parcial e uma imprensa amordaçada, que podemos derrotar um governo neolibaral e truculento. O respeito nas ruas e nas escolas, não podemos perder. O sentimento não pode parar. (Ops, não sou vascaíno). No entanto, ter que negociar representa muito mais uma derrota para o governo que avanço para nós.

O nosso avanço vai estar na habilidade que nossos representantes terão na mesa de negociação. Por isso o movimento não pode parar. Temos que acompanhar cada passo dessa negociação.
Esse blogueiro, dentro das suas limitações, vai partilhar o vai acontecer.

Votei pela suspensão da greve não por confiar no governo. Hoje em dia, como diz minha mãe, não se pode confiar nem na roupa que se está vestindo. Não votei por causa daqueles que começaram a furar a greve. Não votei por que está ficando pesado para o sindicato. Votei por estratégia. Mais pela estratégia que pelo texto em si.

Respeito todos aqueles que emitiram opinião contraria a minha. Entendo a lógica. Temores de que a negociação pode levar a nada existe. Mas dentro do contexto, a suspensão me pareceu o melhor caminho.

Agora é fazer o movimento sempre se movimentar. Acompanhar. A campanha pela implantação do piso que começou em 2007, quando ainda sequer tínhamos a lei, continua, até a vitória.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

É POSSIVEL,SEGUNDO PADRE JOÃO

GOVERNADOR CARA DE PAU PEDE BOM SENSO

Anastasia pede bom senso aos professores
O governador declarou, no Norte de Minas, que espera um rápido avanço nas negociações com grevistas

Flávia Ayer - Estado de Minas
Luiz Ribeiro - Estado de Minas
Publicação: 24/05/2010 18:49 Atualização: 24/05/2010 21:16
O governador Antonio Anastasia (PSDB) declarou, nesta segunda-feira, que acredita na retomada das aulas nas escolas estaduais diante das decisões da Justiça declarando ilegal a greve dos professores e autorizando a contratação de substitutos. Anastasia apela ao bom senso dos grevistas para que as atividades escolares retornem rapidamente.
"A greve foi declarada ilegal e agora houve a autorização para novas contratações. Essas decisões vão acabar permitindo que as negociações avancem de maneira mais rápida", disse, em Montes Claros. Anastasia garantiu que a greve está sendo tratada com seriedade pelo governo. "É algo que nos aflige, especialmente em relação aos alunos que estão perdendo aulas há mais de 40 dias. O governo publicou uma nota de esclarecimento, demonstrou a impossibilidade de atender à solicitação principal, mas estamos abertos ao diálogo", acrescentou.
Negociações
Nesta terça-feira os professores da rede estadual vão decidir se põem um ponto final à paralisação que já dura 48 dias ou enfrentam até mesmo a liminar expedida na noite de sexta-feira pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), autorizando o Estado a contratar professores para substituir os grevistas. Eles vão se reunir em assembleia, que ocorre às 14h, no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no Bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de BH.

Para dar continuidade às negociações, na noite desta segunda-feira, representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-Ute), que lidera o movimento, encontram-se com a secretária de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena.
Segundo a coordenadora geral do Sind-Ute, Beatriz Cerqueira, o sindicato adotou a posição de que não são decisões judiciais que vão pôr fim à greve, nem mesmo à "de sexta-feira", referindo-se à autorização que o desembargador Alberto Vilas Boas deu à Secretaria de Estado de Educação (SEE) para substituir grevistas que se recusarem a voltar à sala de aula.

COMENTANDO: Se ele quiser, pode contratar. afinal de contas deve ter muito professor parado por aí. Decisão judicial não vai por fim nossa greve. O que pode por fim é somente uma boa negociação que tenha como pauta o PISO SALARIAL. Sem piso, não voltaremos pra sala. Queremos o Piso Salarial e não o pisoteio da justiça mineira.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

PENSAMENTO DE EULER CONRADO

sexta-feira, 23 de abril de 2010

FOTOS DE SÃO JOÃO DEL REI

FOTOS DE PROFESSORES MUTUENSES GREVISTAS NA MANIFESTAÇÃO EM SÃO JOÃO DEL REI.






APOIO DO PADRE JOÃO

Padre João participa de nova manifestação dos (as) trabalhadores (as) em Educação

(22 de abril de 2010)

Em mais uma ação de apoio aos (às) trabalhadores (as) em Educação — assim como às demais classes do funcionalismo mineiro —, o deputado Padre João participou ontem, quarta-feira, Dia da Inconfidência Mineira, da terceira assembleia geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais.

Realizado em São João Del Rei, terra de Tiradentes, o encontro contou com a participação de 10 mil trabalhadores (as) de todas as regiões do estado, que decidiram pela manutenção da greve. Iniciada há 15 dias, a paralisação vai, no mínimo, até o dia 29, quando será realizada uma nova assembleia, em Belo Horizonte.

Nas mãos do governador
Os servidores manifestaram, mais uma vez, sua indignação quanto ao baixo reajuste concedido por Aécio Neves no final de março. A principal reivindicação dos servidores é a implementação do Piso Salarial do Profissional Nacional, de R$ 1.312,00. O projeto governamental chegou a ser alvo de três emendas de Padre João para tentar sanar as injustiças com os trabalhadores, mas todas foram rejeitadas pela base governista na ALMG.

Ressalta-se que o atendimento às reivindicações dos trabalhadores em Educação depende única e exclusivamente da “boa vontade” de Anastasia. Isto porque, do contrário do que o governador alega, a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nº 21.054, de 2002, declara que não há empecilhos para que a carreira de servidores seja reestruturada em ano eleitoral. “É possível, portanto, atender as demandas de carreiras isoladas que não representem reajuste geral. Aliás, em 2006, neste mesmo período do ano, o governo Aécio Neves concedeu reajustes e benefícios a servidores de diferentes carreiras”, esclareceu Padre João para os milhares de manifestantes.

O parlamentar enfatizou, ainda, que “o governo tucano, agora com Anastasia como titular, é a favor do estado mínimo, das privatizações, das terceirizações e do arrocho salarial. Por isso, precisamos sempre lutar”.